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quinta-feira, 16 de maio de 2013

Só para quem tem "Vontade de Beleza" e "Vontade de Justiça"!



 

Para terminar o dia em cheio.

 BM

domingo, 17 de março de 2013

Eu já fui "O menino que falava com o vento"

Senhor Vento, bate à porta?
Senhor Vento, pode entrar!
O senhor vem de tão longe
há-de trazer que contar.

O senhor viu outras terras?
Viu palmeiras? Viu o mar?
Quantas torres de castelo
viu antes de cá chegar?

O senhor Vento é cigano?
Ou não tem onde morar?
Olhe a minha chaminé...
Se quiser, pode ficar.

O senhor tem olhos verdes?
Ou tem-nos cor de luar?
Sempre por fora de casa...
Sua mãe vai-lhe ralhar!

Vá-se embora, senhor Vento!
Tem navios a esperar.
Ajude-me a adormecer.
Volte quando eu acordar!

Autora: Maria Eulália de Macedo

BM

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Desejo

No turbilhão da Aurora
O corpo desperta
Já vão sendo horas
A vida por ele aperta

Apanhado na multidão
Que se acotovela no Metro
O corpo dormente
Segue em pé e vai de retro

Trabalha todo o dia
Amarga, cai-lhe cabelo
Mas sorri também, enquanto conversa
E, no fim do dia,
Quando regressa
Encontra o seu elo

Estremece, perde a noção
Brilham-lhe os olhos
Pequenas gotas saem-lhe tímidas
Aquece e arrefece sem parar
Tremem-lhe as mãos...
Apenas por a poder cheirar.


Bruno  Martins
2010

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Poesia em dia de Greve

"E Então Drª?"

Como vai a minha vida?
Tenho edema?
Tenho enfarte?
Ou isto é só fadiga?

Antes demais 
Assine lá o documento
Está aqui de vontade?
Ou veio com sinais?

Sinais e sintomas
Tenho, sim srª
Apneias, cefaleias
e várias coisas que acabam em omas

Tem é cirrose ou é louco
Quem é este que se queixa?
O seu mal é fome!
Vá mas é para casa ou está a fazer-se mouco?

Quem me dera Drª
Para comer não tenho dinheiro
Para ter casa não tenho emprego
E o queixoso tem nome!
Sou o povo, minha srª.

Bruno Martins
09/04/2010


Já é de Abril, mas hoje adequa-se mais que nunca.

BM

domingo, 17 de outubro de 2010

Homem do Deserto

Disse ela de mim, um dia.
Decerto por ser aventureiro
Ou, quem sabe, por ser o primeiro
Que na solidão... morria.

Deserto de areia
Tempo de pó
De uma alma que vagueia
Entre tanta gente e tão só

E no meio da entropia
Era dela
A Luz que eu via

E do deserto apenas ficou
O calor e o desejo...
Que a sua pele saciou. 

 Bruno Martins
Caneças,
17/10/2010

quarta-feira, 10 de março de 2010

Do Amor

No fim das escadas
Que um sobe 
E o outro desce
Cruzam-se olhares

São Histórias
Que andam, que falam
Que trazem experiências
Boas, más. Lições.

O medo.
Sempre ele
Refugia-se no esgar do momento
Na frase que se diz sem pensar

E a vontade
De quê?
Aquela vontade
De gritar, de explodir, de trincar a maçã

Sim, claro. Quero dar-lhe uma dentada
Quero provar o pecado do teu corpo
Fundir-me nele
Desaparecer em ti e tornarmo-nos apenas um

O que virá depois?
Ciúme? Desconfiança?
Quem sabe?
Ninguém, suponho. Pelo menos sem tentar.

Disse um dia um homem grande
Que cito sem cliché
"Quando se luta nem sempre se ganha,
mas quando não se luta perde-se sempre!"

E eu não te quero perder
Sejas tu quem fores
Estejas onde estiveres

Acredito que um dia 
tudo será claro como água
transparente ao olhar profundo
Cristalino ao toque fortuito

E como essa água
que cobiço,
A energia deste amor
vai fazer-nos vibrar

Como moléculas
Animais
Como bombas aprisionadas
Que rebentam num olhar.

O teu olhar.

Bruno Martins
Em trânsito no Parque das Nações
9 de Março de 2010

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Medicina (moleculo)Nuclear

Do gerador, eluído pela manhã
Pouco se espera, a não ser
Alguns gigas de lágrima vã
Pela coluna, radioactiva, a escorrer

À molécula, estudada com rigor
Segue-se a simples reacção de complexação
Que, estéril e eficaz, introduz o traçador
Iluminando o composto com a famosa Radiação

Avançando, assertivo,
É o técnico que dirige
O controlo Radioactivo
A prova da qualidade, no documento que redige

Com a câmara em condições
Contam-se histórias clínicas
Logo seguidas de injecções

Seguem-se depois umas horas de espera...
E o doente, como toda a boa gente
Na espera, desespera

Completamente incorporado
O radiofármaco de biodistribuição conhecida
Ilumina o volume estudado

E com imagens adquiridas com mestria
O Médico analisa e relata.
... era Patológico... Ou não seria?

Bruno Martins
Fevereiro de 2010

Acho que consegui a proeza de escrever, pela primeira vez na história da humanidade, a palavra "biodistribuição" numa espécie de poema. :)

BM