A Tucha, uma Epagneul Breton cheia de garra e personalidade, foi o meu presente quando completei 10 anos de idade.
Cresceu comigo, acompanhou-me nos contorbados tempos da adolescência. Esteve sempre lá. Nos bons e nos maus momentos. Nunca pediu nada em troca... a não ser umas festinhas e comida claro, o seu vicío.
Era a minha companhia nas noitadas a estudar para aquela frequência mesmo difícil, a fazer aquele trabalho mesmo importante, a escrever uma tese... ou simplesmente a ver televisão até altas horas, a ouvir música, a ler, a fazer o que quer que fosse... levantava os olhos do papel, rodava a cabeça e via os dela a olharem para mim, como quem diz, "Não estás sozinho! Estou aqui, faço-te companhia. Queres fazer uma pausa? Vem-me fazer festinhas!! e já agora traz uma bolacha!"
Ficava comigo até o meu corpo não aguentar mais e eu ter de me render à cama. Foram milhares de noites assim. Ela era o último ser de quem me despedia antes de dormir.
Não imaginam como ela falava comigo, entre grunhidos e gemidos e mini rosnadelas de carinho, quando lhe afagava as orelhas. Derretia-se toda. E como quem diz "obrigado", logo que apanhava a minha mão, retribuia com aqueles beijos que só os cães sabem dar: lambusados e sinceros.
E hoje morreu nas minhas mãos. As mesmas que lhe afagavam as orelhas. Foi nelas que encostou a sua cara, e adormeceu.
Nunca me esquecerei da minha melhor amiga.
BM