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terça-feira, 7 de maio de 2013
domingo, 14 de abril de 2013
A Queda dos Gigantes
Após sábio conselho do autor de "Como vai a saudinha", aventurei-me nas 917 páginas que compõem o primeiro volume da trilogia "O Século" - "A Queda dos Gigantes".
A história conta as aventuras de 5 famílias (inglesa, alemã, russa, americana e galesa) entre os anos de 1911 a 1925, por entre factos verídicos da história política e social internacional.
Assistimos no voltar da página, ao deflagrar da 1ª Guerra Mundial, ao envolvimento da Rússia Imperial e da América, à invasão da Bélgica pela Alemanha e à quase capitulação de Paris.
Quem capitula, porém, é o Czar na Rússia e os vermelhos Bolcheviques conquistam as ruas e o Kremlin com a Revolução de Outubro.
Entretanto, numa Inglaterra que também se alistou ao lado da sua aliada França, a agitação social é elevada e os militantes do partido trabalhista começam a introduzir pequenas diferenças, de integração e igualdade. "Algumas" mulheres conquistam o direito ao voto. Algumas delas irão até ser eleitas para a câmara dos comuns.
A Alemanha é vencida e obrigada a assinar assunção de culpa.
Ken Follett é um mestre da palavra. Apesar deste livro poder confundir-se com uma arma de arremesso, o autor consegue manter-nos presos à trama, ansiando virar a página e descobrir o que vem a seguir. O feito é ainda mais notável, quando todos já sabemos o desfecho da história principal.
Termino parafraseando o autor com, talvez, uma filosofia de algibeira, mas repleta de veracidade, na voz de Maud:
- "O aviltamento a que sujeitamos os outros volta, mais tarde ou mais cedo, para nos atormentar".
Abraço,
BM
sábado, 12 de janeiro de 2013
"A Mão do Diabo"
Depois de várias revisões a títulos de José Rodrigues dos Santos, já devem ter percebido que sou bastante apreciador do seu estilo de escrita.
Terminada, pois, que está mais esta leitura, não podia deixar de partilhar convosco algumas linhas.
O nosso herói volta a ser Tomás Noronha, o historiador e professor universitário, que perde o seu emprego devido à aplicação de medidas de austeridade na sua faculdade, também ela afectada pelo papão da crise.
É este o mote para 592 páginas sobre o tema mais badalado da actualidade. A crise, claro.
Naturalmente, foi inteligente da parte do autor aproveitar este clima para escrever sobre o tema mas, como ele próprio diz, é impossível escrever sobre ele sem, aqui e ali, deixar escapar alguma opinião ou impressão pessoais.
Apesar de achar que o autor fez um esforço por se distanciar e apresentar argumentos, através de diferentes personagens, dos dois lados da barricada, creio que falhou numa questão importante. Também aqui se culpa a especulação imobiliária, a corrupção dos políticos do poder e as patranhas dos bancos, mas cai na tentação de considerar tudo isto, empréstimos, austeridade e juros... uma inevitabilidade.
Mas não é... claro que não é!!
Faltou falar de um ponto importantíssimo.
Há algum tempo que algumas pessoas em Portugal têm vindo a falar do re-negociamento da dívida. Foram ridicularizados. Pois a mim parece-me ser o caminho mais lógico para devolver rapidamente o controlo do nosso país aos portugueses.
A falsa ideia de que tudo isto "tem de ser", "que sem a Troika não sobrevivemos", só serve para fomentar o medo nas pessoas e os corruptos de sempre continuam a fazer as tramóias do costume.
Se não, veja-se: depois disto tudo, despedimentos, cortes de salários, subsídios, férias e feriados, aumento de impostos e taxas moderadoras, estes governantes que acham que "menos Estado, melhor Estado", estão agora a preparar-se para salvar os amiguinhos do BANIF, como fizeram com os do BPN, com o dinheiro que nos andaram a sacar... E nós deixamos? Enfim...
Mas voltando ao livro. Como de costume, a trama é escorreita e de fácil leitura. José Rodrigues dos Santos escreve de maneira a que qualquer leigo possa entender a mensagem que ele quer passar e isso, só por si, é, naturalmente, digno de nota.
Não sendo o meu livro favorito do autor, considero-o de boa qualidade e com um final bastante intrigante. Como é óbvio não perderia tempo a escrever esta revisão se não fosse para o recomendar a todos.
Ab
BM
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terça-feira, 8 de janeiro de 2013
EntropiaEZINE
Minhas Amigas e Amigos!
É com muito orgulho e alegria que aqui vos apresentamos o “EntropiaEZINE”. Um novo projecto do Grupo Entropia, que apostará fortemente na divulgação do Autor português e dos seus trabalhos, nas áreas da Banda Desenhada, Ilustração, Fotografia e Literatura.
Iremos pois utilizar a Internet como meio de eleição, para a distribuição e partilha gratuita desta publicação digital, aproveitando todas as suas potencialidades para partilharmos um pouco do que de bom é feito em Portugal, a uma escala global, de uma forma muito fácil e directa.
Poderão encontrar, acedendo ao nosso site www.grupoentropia.net – secção Publicações/EntropiaEzine, a oferta de vários elementos, que vão desde belos wallpapers alusivos ao “EntropiaEZINE”, passando pela possibilidade de fazerem o download gratuito da publicação, ou de realizarem a sua leitura online. Claro está que não se sintam inibidos em partilharem o ezine, com os vossos contactos, de o divulgarem nos vossos facebooks, twitters, blogs ou sites. O Artista e as Artes em Portugal agradecem toda a ajuda que nos possam dar na sua divulgação e contamos com todos vocês para nos ajudarem a levar esta publicação digital de Autores portugueses, ao maior número de lares possível! :)
Acrescentamos ainda que este projecto, que marca uma boa entrada do Grupo Entropia em 2013, irá contar com edições regulares, ao longo deste ano, sendo que as futuras edições estarão abertas a todos os Autores portugueses, que nela queiram participar e que nos façam a submissão dos seus trabalhos, mediante um regulamento de participação que iremos disponibilizar em breve e de posterior aprovação dos respectivos trabalhos, pela equipa responsável pelo EntropiaEZINE.
Em Fevereiro, iremos também lançar a versão traduzida para o inglês do EntropiaEZINE, o que possibilitará tornar mais acessível a publicação, também nos países que não dominem a língua portuguesa, elevando assim a sua divulgação a uma escala planetária.
Ficha Técnica:
Design e Montagem: Sara Mena.
Capa: Catarina Guerreiro.
Autores: Adelina Menaia, Álvaro, Ana Vidazinha, Andreia Rechena, Bruno Martins, Carla Rodrigues, Carlos Rocha, Catarina Guerreiro, Denise Didelet, Geraldes Lino, João Amaral, João Figueiredo, João Raz, Lemon BD, Manuel Alves, Miguel Ferreira, Nuno Amado, Paulo Marques, Pedro Manaças, ROD e Sara Mena.
Espero que gostem.
Ab,
BM
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terça-feira, 27 de novembro de 2012
"O Homem das Solas de Vento"
Na passada 6ªf, totalmente em cima da hora, convidaram-me para ir ao lançamento do novo livro do Sérgio Brota.
Quando cheguei já o evento ía avançado, mas ainda consegui apanhar o vídeo que o Sérgio fez para partilhar connosco a sua visão do mundo, desta vez em frames animadas e acompanhados à viola por um jovem Pedro qualquer coisa, que não consegui apanhar.
O livro fala de "Estórias de viagens pelo sudoeste asiático", mais propriamente pela Índia, Nepal, Butão, Tailândia, Laos e Camboja.
Quando vi este conjunto, saí a correr do trabalho e fui à velocidade da luz para a Fnac. É exactamente o conjunto que me fascina, faltando apenas o Vietname para completar a perfeição da escolha.
Escusado será dizer que vim de lá fascinado e com um livro autografado pelo Sérgio.
Do que já li, aconselho vivamente não só os textos que o Sérgio escreve, mas também as fotografias que capta... e deixo convosco uma frase que Ellen Johnson-Sieleaf partilha connosco pela mão do Sérgio:
"Se os sonhos não te assustam, não são suficientemente grandiosos..."
Ab
BM
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domingo, 4 de novembro de 2012
1Q84 vol.3 - A apoteose da loucura de Murakami
Pensava que não poderia ter acertado mais quando decidi adjectivar esta obra de Murakami com "loucura". Chegado agora o fim da trama... tenho completa certeza!
Apesar deste último volume não ser tão fascinante como os outros dois (já volto a este assunto) era, naturalmente, imprescindível lê-lo até ao fim.
Há partes do livro em que Murakami parece ter sido picado pelo mesmo mosquito que picou Eça de Queirós (todos recordamos as 17 páginas de descrição do Ramalhete, certo?) e perde-se em pormenores que só atrasam o tão desejado desfecho. Ou se calhar nem é isso. Talvez o problema seja estarmos tantas páginas à espera que Tengo e Aomame se re-encontrem, que ficamos um tudo nada ansiosos. Deve ser isso.
Que se lixem os detalhes do prédio onde vive Tengo ou as fobias de infância de Ushikawa; aliás, para quê tanto tempo perdido com este senhor? Devo dizer que passar a haver capítulos dedicados a esta personagem, não me deixou muito satisfeito. Raios, mais um a empatar.
Mas ninguém pode conter a conspiração do Universo, nem mesmo o povo pequeno.
Tengo e Aomame voltam a reunir-se!!
É só isto que vos conto. Não revelarei mais nada, só digo que o final me deixou completamente desconsertado. Não estava nada à espera de um desfecho daqueles. Acho que fiquei uns bons cinco minutos de boca aberta a olhar para o ponto final final, sem querer acreditar.
Mas uma coisa vos digo, tive de esperar vários dias para conseguir esta pequena nota sem chamar milhares de impropérios ao Murakami. E é por isso que sei o quanto ele é, afinal, um escritor de mão cheia.
Ah, só para dizer: à chegada a Milão também eu me deparei com o Tigre da ESSO a oferecer-me o perfil esquerdo. Pode ser que encontre o Tengo e a Aomame hoje junto ao Duomo, quando lá for despedir-me a apreciar um último Camapari.
Bar "Living", Milão
30/10/12
BM
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terça-feira, 16 de outubro de 2012
"The Casual Vacancy"
É o novo romance de J.K. Rowling e a minha mais recente curiosidade.
Confesso que fui leitor dedicado da série de Harry Potter e, portanto, a passagem da sua criadora da fantasia para a realidade, dá-me muita vontade de ler.
Infelizmente, as críticas que tenho lido (e já foram muitas), inclusivé do reputadíssimo New York Times, por Michiko Kakutani, são, vá, péssimas. Este último refere qualquer coisa como: "Darkness and Death, No Magic to Help.".
Se alguém já tiver lido, pode fazer o obséquio de deixar aqui algum comentário?
Muito obrigado.
BM
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sexta-feira, 5 de outubro de 2012
"A Revolta" e o fim dos Hunger Games
Chegou, para mim, o fim da aventura de Katniss Everdeen e das suas lutas pela liberdade, pelo amor e pela justiça. A mocinha pode, finalmente, poisar o seu vestido de mimo-gaio.
Se tivesse de traçar um gráfico da minha preferência, em ordenadas, ao longo dos livros da saga, em abcissas, facilmente se revelaria uma distibuição normal na ponta da caneta. Sim, estou com isto a dizer-vos que o ponto alta da trilogia não foi o último livro, muito menos o final. Continuo a gostar mais do segundo.
O primeiro foi a novidade... que é sempre interessante. A esperança de mais uma epopeia fantástica, com crítica social e apelo à imaginação que cada menino dentro de nós guarda nas profundezas das nossas máscaras de adulto. O segundo tem um ritmo alucinante que nos torna incapazes de o poisar antes de chegar ao fim e é onde a resistência organizada se revela, preparando uma revolução.
Agora o terceiro... bem... não vou dizer que não gostei. Nada disso. Mais que não fosse, ver satisfeitas curiosidades que se arrastavam há dois livros, já justifica ler o último. Mas talvez por ter a fasquia bem alta, o último capítulo da trilogia não me conquistou arrebatadoramente, como eu gosto de ser pelas histórias que escolho.
Achei toda a viagem de conquista do Capitólio, de um exagero quase grotesco e as revira-voltas demasiado previsíveis. O papel de coitadinha, depois de tudo, assenta mal à protagonista, tal como a loucura do Peeta, que se desvanece em menos de nada. Ou a indiferença do Gale perante os novos desenvolvimentos na vida de todos.
Mas houve uma coisa de que gostei bastante. A maneira que a Katniss arranjou para democratizar Panen... arriscando a sua posição no lado dos rebeldes ao matar de um deles, em vez do Snow.
Para quem é fã da saga... vai ficar a pensar, como eu, porque raio decidiu Suzanne Collins tornar esta história numa patetice para adolescentes, quando tinha matéria para fazer história literária?
E ficarão um pouco frustrados.
Mas enfim.
Get over it.
No final das contas não me arrependo nada de os ter lido todos e de me ter divertido com a melhor personagem de sempre num triângulo amoroso, a mistura de dois rapazes em luta pela rapariga - PeetaGale. Ou talvez isso tenha sido apenas uma sátira à saga.
Ah, foi isso. :)
Boas leituras,
BM
quinta-feira, 13 de setembro de 2012
terça-feira, 21 de agosto de 2012
1Q84 - 2º tomo da loucura de Murakami
Tal como tinha referido no artigo sobre o 1º livro da trilogia 1Q84, a minha irmã ofereceu-me o 2º no meu aniversário. E ainda bem que o fez.
Em apenas uma semana devorei todas as suas páginas, de tão intenso e envolvente que é.
Se considerarmos o 1º, como o "livro das perguntas", este 2º pode ser o das "respostas".
Com a mesma natureza fluída e simples que Murakami escreveu o início, vai agora deixando perceber pormenores fulcrais para a compreensão da história e dos elementos que a compõem.
Finalmente percebemos porque é que o Tengo se sentiu tão atraído pelo "Crisálida de Ar" e não resistiu a re-escrevê-lo. Porque é que Fuka-Eri entra na sua vida. E quem é ela, afinal.
Finalmente percebemos como Aomame começou a ver duas luas no céu. A força que a une a um Tengo de 10 anos a quem, um dia, apertou a mão esquerda, no maior acto de amor a que se permitiu durante toda a sua vida. Um acto de amor que mudou a vida de ambos e que os uniu para sempre.
Finalmente a Vanguarda é despida de parte do seu secretismo e deixa-se investigar pelo leitor.
Finalmente!! Este é um livro onde suspiramos muitas vezes... "finalmente". Mas nem todos os finalmentes estão lá. Falta ainda um grande finalmente. Pelo menos um. E esteve tão perto, naquele parque infantil. Enfim.
Prepare-se o leitor desta sequela para muitos momentos de suster a respiração e de inquieta ansiedade quando precisar de poisar o livro para dormir.
Os capítulos, que continuam a suceder-se à vez entre as histórias dos protagonistas, acabam por se imbricar e as histórias de ambos passam a ter lugar num espaço e tempo simultâneos.
O suspense e a inovação de conceitos e de todo um imaginário fantástico criado por Murakami, fazem, cada vez mais, deste 1Q84, uma obra de referência na literatura mundial. Algo tão forte que se torna difícil de abandonar, mesmo em tempo de calor e com ondas fresquinhas a chamar por nós.
Havia uma advertência na contra-capa do livro, à qual não prestei particular atenção. Devia.
"Cria dependência", lê-se, em tom de sábio conselho. Se pensam que é apenas mera publicidade desprovida de conteúdo e cheia de forma por um homem qualquer do marketing... digo-vos já que não é.
O 3º ainda não saiu e eu começo a parecer um tolinho a entrar em todas as livrarias a perguntar quando sairá. Ninguém sabe.
Depois de esburacar na net e face às incessantes investidas de viciados leitores, a editora publicou na sua página do facebook que o 3º volume chega em Setembro aos escaparates das livrarias portuguesas. Enfim. Esperar por Setembro... pode ser extenuante.
Estão a pensar comprar o 1º?
Querem um conselho? Comprem, se puderem, todos de uma vez só.
Leiam tudo de enfiada. E não se esqueçam de respirar.
Se conseguirem.
BM
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quinta-feira, 9 de agosto de 2012
1984 vs 1Q84 ou a Loucura de Murakami
No mesmo ano, em Portugal, nascia Bruno Martins na Rua da Palma, ali perto do Intendente. Sim, do Intendente. E depois?! Apesar de ser um facto que em nada enriquece a prosa, acaba por ser matéria suficiente para falar em público do meu aniversário de singelos 28 verões. 28!
Enfim, adiante. Para que conste, voltei às origens: no Sporting e a escrever com papel e caneta. E que bem que tudo isto sabe.
Mas é do livro e não de mim (de mim, não mesmo!) que vos quero falar hoje.
Confesso que nunca me tinha interessado por Haruki Murakami. Em algum local esconso do meu subconsciente, o escritor apresentava-se apenas mais um romancista de gaja. Até ao mês passado não lhe tinha dado qualquer hipótese. Percebo agora o grave erro que cometi.
Também não me orgulho do motivo do meu primeiro interesse pelo livro, mas vendo bem as coisas, é capaz de ser uma razão tão boa como qualquer outra; talvez não tenhamos sempre de ser profundos e intelectuais, mesmo quando se trata de literatura. O livro chamou-me à atenção pelo título. E, como já devem ter percebido pelo início do artigo, por ser tão estranhamente semelhante ao ano em que nasci. Parece que este ano foi profícuo em baptizar livros.
O livro começa lento, descritivo. Personagens e lugares. O habitual. Os capítulos são protagonizados, à vez, por Tengo, a personagem masculina, professor de matemática e pretenso romancista (alter-ego de Murakami?!??!) e por Aomame, a personagem feminina, instrutora de artes marciais e assassina profissional.
As histórias são as das vidas de ambos. De ideais e religiões. De vícios e virtudes. Mas... a certa altura, tudo se transforma.
Aomame começa a descobrir factos que desconhecia sobre o mundo. Pelo menos sobre o mundo que ela conhecia.
Tengo vê-se embrulhado num caso de ética discutível em que os pormenores da história de uma menina de 17 anos começam a cruzar-se estranhamente com as descobertas do novo mundo de Aomame.
A ligação destas personagens deixa-se perceber logo neste primeiro volume, mas não vou dizer como, naturalmente.
Vou apenas acrescentar que o primeiro volume termina da pior (ou melhor, dependendo da perspectiva) maneira: completamente anti-clímax! Quando se pensa que se vai descobrir alguma coisa. ZIP. Página em branco. Índice. End of chapter one. WHAT?!?!?
De qualquer maneira, a escrita de Murakami é brilhante e vale só pela fluidez que tem. Nem parece que estamos a ler. Mais parece um filme que nos passa pelos olhos, do qual não conseguimos desviá-los, nem sequer para comer uma pipoca.
Brevemente poderei dizer se o segundo volume é tão bom como o primeiro, uma vez que a senhora minha irmã fez o favor de acabar de mo ofertar. GRAÇAS A DEUS! OU A ELA, melhor dizendo, porque esperar agora pelo desenrolar da história iria ser bastante cruel.
Portanto, este adeus é apenas um até já.
Ab
BM
De qualquer maneira, a escrita de Murakami é brilhante e vale só pela fluidez que tem. Nem parece que estamos a ler. Mais parece um filme que nos passa pelos olhos, do qual não conseguimos desviá-los, nem sequer para comer uma pipoca.
Brevemente poderei dizer se o segundo volume é tão bom como o primeiro, uma vez que a senhora minha irmã fez o favor de acabar de mo ofertar. GRAÇAS A DEUS! OU A ELA, melhor dizendo, porque esperar agora pelo desenrolar da história iria ser bastante cruel.
Portanto, este adeus é apenas um até já.
Ab
BM
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terça-feira, 19 de junho de 2012
"Em Chamas"
Em chamas é como nós ficamos depois de ler o 2º volume da saga "The Hunger Games".
Vou, antes de falar um pouco sobre o que livro me provocou, partilhar convosco a informação de que, no Brasil, a saga é chamada de "Os Jogos Vorazes"... vá-se lá saber quem foi a alminha que traduziu "hunger" para "vorazes". Enfim.
Então, dizia eu, que ficamos em chamas ao ler isto. E ficamos mesmo. E tinha razão quando disse no artigo de revisão do primeiro livro, que o segundo deveria ser muito melhor. É porque é mesmo.
Para já porque estamos à espera que o livro seja de passagem, um mastigar metafórico da história, pois já sabemos que o terceiro livro se chama "A Revolta" e que, portanto, é lá que se passará o interessante da acção. Depois dos jogos em que Katniss e Peeta se sagraram, pela primeira vez, um casal de vencedores, a revolta, a revolução, o motim ou whatever, parece o passo mais provável.
Então que raio é que se passará "Em chamas"?
Passa-se muito, digo-vos já. Não vou falar sobre a história, porque acho que a devem ler. E sim, não se preocupem se ouvirem comentários depreciativos sobre como estão tão obcecados com um livro infanto-juvenil. Queiram lá saber disso. A história de fundo é muito mais profunda do que as hormonas furtivas da Katniss fazem querer parecer.
Fala de uma sociedade podre, com opressores e oprimidos, com ricos e pobres, com um fosso brutal entre classes, um pouco como o que estamos a assistir na Europa, mas sem os jogos onde crianças se matam umas às outras. Isso é mais em países como a Uganda, a Libéria, o Congo ou o Sudão. E não são em jogos. Mas, se formos a ver, que diferença há entre as dos jogos e as crianças soldado destes países?
Enfim, é também de política, disfarçadíssima, claro, que se trata este livro. De como os povos se podem organizar para combater quem os oprime. De como esse processo é penoso e, por vezes, sangrento. E de como poderão haver tantos revezes e tantos obstáculos e tantos heróis que caem pelo caminho.
E, depois, quando parece que a altura chegou... uma tremenda revira-volta, troca as voltas a todos. E os planos têm de ser todos revistos. Mas... A RESISTÊNCIA CONTINUA.
Afinal este livro é disso que se trata. Da organização da resistência. E algo tão brutalmente simples... que podia ser real. Basta nós deixarmos.
Agora chega de escrever, para vos deixar ir ler coisas que pessoas como esta Suzanne escrevem. Intemporais e imperdíveis.
Recomendo!
BM
domingo, 10 de junho de 2012
"A Vida é uma Grande Ideia"
Venho hoje recomendar-vos um livro infanto-juvenil, escrito por uma colega quando tinha apenas 13 e publicado aos 15 anos.
Com a luta contra o tabaco com pano de fundo, é Orquídea a personagem principal que nos conduz pela acção dos tempos conturbados típicos de qualquer 8º ano. Uma menina sonhadora e idealista que vive em Vila Franca de Xira e afirma que a escola Alves Redol é a melhor escola do mundo.
Bom, neste ponto teremos de discordar, mas isso parece-me normal e, portanto, matéria a descartar deste pequeno review.
Orquídea parece, por vezes, a menina que de facto é, mas páginas depois surpreende-nos com tiradas filosóficas que me arrancaram alguns arrepios enquanto calibrava, ainda sozinho e à espera de colegas e doentes, os tubos fotomultiplicadores do PET, às 7h da manhã no nosso serviço.
Faço questão de partilhar alguns convosco, citando sem vergonha uma menina de 13 anos; em primeiro, um exemplo de pragmatismo e, talvez sem intenção, até de algum humorismo:
- "Sou eu, sou eu - estão a ver a variedade de respostas que se pode dar quando se pergunta ´quem é´? Pergunta desnecessária. À partida, quando se pergunta quem é já se sabe que há-de ser alguém. É pouco provável que seja um animal, um objecto, um fungo ou uma palmeira. Não é, pessoal que responde ´sou eu´?"
Um fungo ou uma palmeira!?!??!? Adoro.
E depois, a reflexão sobre a sociedade:
"Dá-me a entender que os adultos nem sequer se apercebem de que vivem obcecados pelo trabalho e deixam a vida passar ao lado. A vida verdadeira, claro. Porque eles vivem enganados numa outra vida poluída de impostos, de IVA´s, de inflações e de rendas da casa. E já não se lembram de que o Mundo, em tempos lhes coube inteirinho no coração."
Pequena nota à autora: minha cara Drª... bom trabalho. Fiquei surpreendido. E quero mais! Acho que nos deves a todos, teus leitores, mais livros e mais histórias.
Fico à espera.
Boas leituras.
BM
domingo, 3 de junho de 2012
O Turno da Noite
Uma passagem rápida, entre fungadelas de uma suposta crise de alergia ou constipação maléficas, para vos recomendar...
Boas leituras.
BM
Por entre as espectaculares histórias de possessões demoníacas em "Jerusalem's Lot, de máquinas que ganham vida e ceifam as dos outros em "A Mutiladora", de crianças mortas durante o sono, sob a vigilância incrédula dos seus pais em "O Papão", de incríveis soldadinhos de chumbo em miniatura que decretam guerra ao primeiro humano que vêm em "Campo de Batalha", de "Camiões" que ganham vida ou de empresas que nos tiram os vícios à lei da tortura em "Quitters, INC", O Turno da Noite de Stephen King é um conjunto de contos de fantasia/terror que vem provar uma vez mais a mestria do seu autor.
E se alguns são claramente devaneios e impossibilidades, há outros que podiam bem ter acontecido... ou que ainda venham a acontecer...
Boas leituras.
BM
domingo, 6 de maio de 2012
"The Raven"
"The Raven" é a nova película do realizador de "V for Vendetta", James McTeigue, e conta com John Cusack no principal papel. E que papel esse que John teve a responsabilidade de interpretar. Nada mais nada menos do que o escritor que inspirou este e tantos outros filmes... o grande, o único... Edgar Allen Poe.
Já tive oportunidade de escrever sobre ele por aqui; se o quiserem recordar, é favor clicar para ler. Como tal, não me vou alongar em elogios ao artista, apesar de ele merecer cada um dos adjectivos que me passam pela cabeça sempre que leio uma das suas histórias.
Consigo perceber porque é que as pessoas se deixam levar pelo seu imaginário sombrio. É que a linha que separa a ficção da realidade é tão subtil que, por vezes, parece que Poe não é mais do que um jornalista a relatar algo que se passou realmente. Mas não. Tudo provém da sua cabeça.
Agora, daí até acontecer o que acontece neste filme... já é preciso ser-se ligeiramente, vá, psicopata.
Um dos maiores fãs do escritor, cuja identidade permanece misteriosa até poucas frames do final do filme (e, melhor, uma personagem que se mantém muito camuflada, sendo muito difícil desconfiar dela quase até ao fim... o que nem sempre acontece neste tipo de thriller que, mesmo querendo levar-nos numa direcção, consegue-se logo perceber que se nos querem levar para a esquerda, é porque é para a direita... mas neste não!!), começa a matar pessoas tendo como inspiração... as fantásticas histórias de Poe.
Agora, daí até acontecer o que acontece neste filme... já é preciso ser-se ligeiramente, vá, psicopata.
Um dos maiores fãs do escritor, cuja identidade permanece misteriosa até poucas frames do final do filme (e, melhor, uma personagem que se mantém muito camuflada, sendo muito difícil desconfiar dela quase até ao fim... o que nem sempre acontece neste tipo de thriller que, mesmo querendo levar-nos numa direcção, consegue-se logo perceber que se nos querem levar para a esquerda, é porque é para a direita... mas neste não!!), começa a matar pessoas tendo como inspiração... as fantásticas histórias de Poe.
Alimentando-se da genialidade do escritor, o psicopata vai recriando os ambientes, as personagens das histórias e, naturalmente, também o seu enredo e desfecho, matando as suas vítimas com todos os pormenores descritos por Poe.
Como era de esperar, Poe foi o primeiro suspeito dos assassínios. Acontece que, no momento em que está a ser interrogado, mais um crime é reportado, desta feita com o "O Poço e o Pêndulo" como pano de fundo. A partir daí é chamado a participar na investigação, de maneira a antecipar os passos do assassino. Poe é a sua inspiração, mas não posso deixar de dar créditos também à sua imaginação e engenho ao deixar pistas e manipular toda a gente até conseguir raptar e manter cativeira a amada de Poe. Para a descobrir, Poe terá de continuar a escrever e a publicar as suas histórias de terror, mas desta feita passou de autor a personagem, escrevendo o seu próprio destino naquelas páginas de jornal.
E, tal como convém a um gótico dedicado, envolto em sombra e tragédia, troca a sua vida pela da sua amada.
É um filme bastante bem conseguido, cheio de suspense e que nos incomoda, tal é o nível da ansiedade que transmite. Penso que é esse o objectivo deste tipo de filme e, portanto, este cumpre na perfeição.
Certamente um dos melhores filmes do ano, até agora. Penso só que John Cusack não foi a melhor escolha para esta personagem... não estou com isto a dizer que está mal, longe disso, mas penso no que um Robert Downey Jr poderia ter feito com ela... só faltou um desempenho soberbo para esta película ser uma masterpiece.
Aqui fica o trailler para os interessados:
Imperdível!!
BM
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terça-feira, 24 de abril de 2012
"Punk Redux" - O regresso do Menino Triste!!
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| Clicar na imagem para comprar o livro |
Vamos enquadrar isto primeiro.
João Mascarenhas, o autor desta saga, chegou até ao meu conhecimento através das iniciativas do Grupo Entropia, um colectivo de criativos que promove a arte e a cultura em Portugal e do qual me orgulho de pertencer.
Este fim de semana, na Casa da Cultura em Caneças, assisti a (mais uma, creio) apresentação deste que é o quarto livro da história do Menino Triste, inserido na exposição de BD, ilustração e fotografia "Universos do Entropia".
Parece que este menino é o alter-ego do autor, pelo que não é de estranhar que muitas das histórias que ele retrata nos quadradinhos e nas vinhetas sejam, mais coisas menos coisa, as dele próprio. Uma visita ao seu blogue permite perceber a génese da personagem e como o seu sucesso foi acidental.
Recuando nos artigos até à inauguração do blogue, encontramos uma pergunta engraçada: "porque é que o menino é triste?"
A resposta do João é muito interessante:
"O "triste" do nome da personagem não tem de significar necessariamente "deprimido" ou "infeliz". Antes pelo contrário, no caso desta personagem. O "triste tem mais a ver com "preocupação".
Efectivamente, a ideia para o nome surgiu-me da leitura de vários textos de psicologia, onde alguém dizia que quando uma criança cresce na ausência da mãe, ou os seus sonhos não são completamente atingidos, essa criança tem a tendência a tornar-se num criança triste. O que faz com que praticamente todos nós sejamos potenciais "meninos tristes".
Contudo, O Menino Triste é um menino feliz, e o nome é portanto mais uma "figura de estilo" do que uma fatalidade do espírito."
E se ele não tinha intenção de publicar nem sequer o primeiro volume, a pressão dos cada vez mais fãs fê-lo escrever mais um e mais outro e agora ainda mais este, o quarto.
E é neste quarto que João conta como chegou a Londres a primeira vez, com apenas 16 anos, e em pleno desfraldar do movimento Punk. Sem intenção, viu-se envolvido por toda aquela revolta, por aquele mundo novo com o qual se identificava, com "do it yourself" que levava os jovens a fazer, em vez de assistirem passivamente ao desenrolar dos acontecimentos.
Não quero ser spoiler e deixar-vos apreciar este belo exemplar de BD em português, sobre um português que deu cartas em Londres, que teve um papel pelo menos interessante no início do movimento Punk e que podia, hoje, ser um famoso músico... mas que acabou por não ser por respeito aos seus ideais que, pareceu-lhe, poderiam ser incompatíveis com vocalistas que queriam usar suásticas ao braço.
Gostei de ter conhecido este senhor. A sua história e o seu livro levaram-me directamente até Londres e por lá vagueei ouvindo sons como...
BM
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domingo, 22 de abril de 2012
"O Último Segredo"
Tal como prometido neste artigo, eis o meu review sobre o mais recente livro de José Rodrigues dos Santos, "O Último Segredo".
Apesar do estilo desta nova saga não ser muito original (basta ler os primeiros capítulos para começarmos logo a fazer comparações com Dan Brown e com outros títulos do autor, como a "Fúria Divina", por exemplo), é impossível ficar indiferente à sua história.
Numa conspiração internacional para manter os dogmas da religião católica intocáveis, Tomás de Noronha, historiador português, viaja de Itália para Dublin, de lá para a Bulgária e da Bulgária para Jerusalém, com o intuito de resolver três assassinatos misteriosos, aparentemente ligados pela assinatura do assassino: uma mensagem encriptada com referências à Bíblia.
Neste estilo de história historica-policial-científica é normal ocorrerem revira-voltas impressionantes, umas mais previsíveis que outras. Esta história não é excepção.
Ao longo de 545 páginas somos levados a analisar profundamente as imprecisões contidas na Bíblia. Ou fraudes, como lhe chama Tomás. E enquanto ele pensa que está a ajudar a deslindar aqueles assassinatos, não está mais do que a ajudar a complicar ainda mais a situação.
Ao longo da trama, vão sendo citadas várias passagens dos Evangelhos, das cartas escritas aos povos seguidores, e vamos percebendo como os homens deturparam a história de Jesus como melhor lhes dava jeito.
José Rodrigues dos Santos consegue prender o leitor nesta sucessiva revelação de incoerências, que inevitavelmente o leva a questionar tudo o que sabe e acredita sobre a vida de Jesus e a sua própria religião e fé. A sua maneira de escrever é eloquente e cativante e o trabalho de pesquisa que teve de fazer para poder escrever determinadas passagens é louvável.
E é por isso que o estilo pouco original é totalmente desculpável, pois mesmo assim, ele consegue cativar-nos e brindar-nos com algumas surpresas interessantes.
Se este senhor não fosse português já teria, com toda a certeza, alguns dos seus livros adaptados a cinema. Espero que isso aconteça brevemente.
BM
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segunda-feira, 9 de abril de 2012
"Os Jogos da Fome" - o livro
Finalmente terminei a leitura do primeiro volume da trilogia "The Hunger Games", ou "Jogos da Fome", em bom português.
Só o li depois de ver o filme. E sei que todos devem estar à espera que vá escrever o mesmo cliché que todos os apreciadores de literatura dizem/escrevem... mas, lamento desapontar-vos, eu não gostei mais do livro. Não quero com isto dizer que não gostei. Longe disso. Somente que o filme é muito melhor.
O livro tem um estilo muito mais infanto-juvenil e não é tão fluido como seria de esperar. No entanto, não deixa de ser uma história altamente criativa e, por isso, tiro o meu chapéu à sua autora.
Já ouvi também dizer que o segundo volume é bastante melhor. Veremos. Vou ler com toda a certeza, pois este volume só não me deslumbrou, porque o filme já o tinha feito primeiro.
Dito isto: leiam primeiro o livro e vejam o filme depois! :D
Entretanto, num estilo que nada tem a ver, encetei o meu "O Último Segredo".
Será a próxima crítica literária.
Boa semana
BM
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Literatura
domingo, 4 de março de 2012
"Este rapaz até pode ser forte, mas não é lá muito inteligente"
É com esta frase que termina o volume 5 da saga Dragon Ball. E, de facto, é capaz de ser verdade. O raio do puto é exímio a combater, mas não é lá muito esperto, não.
Mas também não interessa estarmos agora aqui a dissertar sobre o QI da personagem animada mais popular da nossa infância.
Interessa, isso sim, recomendar, uma vez mais (favor recordar este artigo) a leitura desta adaptação portuguesa. Comecei ontem, finalmente, a leitura do volume 5 e por alturas de ir para a cama, já o tinha devorado todo. É impressionante como estes livros desaparecem num instante. De repente, quando estamos a ler, até parece que estamos a ver a série a que tanto nos habituámos, tal é o ritmo que as páginas nos impõem.
Estes dois volumes estão intimimamente ligados e, por isso, proponho que os comprem de uma assentada só e que os leiam de seguida. Se no quarto começa o grande torneio das artes marciais, apenas no quinto vão saber como termina e quem é o seu vencedor. O combate final é hilariante e imperdível para os fãs da saga.
Logo após o final do combate, Son Goku reinicia a sua busca pela bola do dragão que o seu avô lhe deixou. Pelo caminho vai enfrentado os mesmos brutamontes do costume, até chegar à temível Torre Músculo.
Acreditem no que vos digo: não vão querer perder pitada desta "nova" aventura onde o Goku se meteu. Principalmente o combate com o ninja do quaro nível da Torre. Penso (o que eu queria dizer aqui era algo do género "I Wonder what...", mas não sei bem como escrever isso em português...): que raio devia estar a fumar o senhor Akira Toriyama quando escreveu partes desta série como esta?
Completamente tresloucado isto. Ah! e imperdível, pois claro.
Abraço,
BM
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
"E eis que exercemos as nossas vinganças"
"Senhora Vingança" é um livro de contos directamente saído da criatividade do líder carismático da banda de Heavy Metal portuguesa Moonspell, Fernando Ribeiro.
Após outras incursões pelo mundo literário, nomeadamente na poesia, Fernando Ribeiro aventurou-se na prosa com este livro que contém dois contos que não podiam ser mais diferentes. A única linha condutora que se mantém fiel é, como o título manda, o plano para executar uma merecida vingança.
O primeiro, confesso, é muito pouco interessante, ao ponto de quase ter desistido de ler o segundo.
Parece que o Fernando Ribeiro, como bom gótico, é fã das histórias clássicas vampíricas, daquelas em que eles são muito pálidos, só saem de noite, só entram se convidados, não frequentam o colégio dos morangos com açúcar e são sedentos de sangue.
Se assim for, percebo o ressabiamento de escrever este conto em que a vingança é contra uma escritora que desvirtua todo este ambiente vitoriano, permitindo que vampiros se camuflem entre adolescentes na aula de biologia e que se alimentam de produtos sintéticos ao invés de sangue.
A questão é que as referências à escritora da saga Twiligh são tão óbvias e tão forçadas que fazem perder o interesse no conto.
Mas pronto. Não sou um tipo de "crítico literário" que se acomoda e se deixa vencer por um pequeno contratempo. AH! Voltando um bocadinho atrás e para salvar a minha honra - apesar de não ter gostado do conto, sou solidário com o Fernando: Twilight é mesmo uma cena que não deve assistir a ninguém e que não deve ser assistido por ninguém.
Mas, dizia eu, permaneci perseverante. E ainda bem que o fiz!
O segundo conto é fantástico.
Fala de outro tipo de vampiros. Os vampiros políticos.
Com uma mestria literária que o primeiro conto não faria prever, Fernando descreve com pormenor factos, pessoas, lugares e situações da nossa suposta democracia, do nosso suposto sistema capitalista. Digo suposto porque, como se verá, um sistema só o é quando todas as suas estruturas trabalham para o bem comum. No nosso "sistema", os nossos representantes, aqueles que o povo escolhe desde o 25 de Abril, ao invés, trabalham para o seu próprio (demasiado) bem estar.
E pelo caminho fazem o quê?
Roubam-nos o subsídio de natal. Despedem pessoas. Aumentam o IVA da electricidade para 23%. Tudo em nome do "emagrecimento" ou do corte das "gorduras" do Estado, que é como quem diz, despedir, cortar nas regalias dos pequenos, para que os grandes possam continuar a jogar a sua partida de golfe com material comprado com IVA reduzido como é apanágio para a prática de desportos de luxo. Faz sentido. não faz? Não?!
Pois não.
Os protagonistas deste conto também concordam. A questão, no entanto, é que eles não se ficam por escrever, por organizar lutas e contestações ou trabalhar na comunidade.
Eles infiltram-se e cortam a cabeça ao polvo.
E eis que eles exercem as nossas vinganças.
Posto isto, aconselho-vos a não perder este conto. Podem sempre comprar o livro ou pedir-mo emprestado e começarem a ler a partir do meio.
Boas leituras e, quem sabe, pequenas vinganças...
BM
O segundo conto é fantástico.
Fala de outro tipo de vampiros. Os vampiros políticos.
Com uma mestria literária que o primeiro conto não faria prever, Fernando descreve com pormenor factos, pessoas, lugares e situações da nossa suposta democracia, do nosso suposto sistema capitalista. Digo suposto porque, como se verá, um sistema só o é quando todas as suas estruturas trabalham para o bem comum. No nosso "sistema", os nossos representantes, aqueles que o povo escolhe desde o 25 de Abril, ao invés, trabalham para o seu próprio (demasiado) bem estar.
E pelo caminho fazem o quê?
Roubam-nos o subsídio de natal. Despedem pessoas. Aumentam o IVA da electricidade para 23%. Tudo em nome do "emagrecimento" ou do corte das "gorduras" do Estado, que é como quem diz, despedir, cortar nas regalias dos pequenos, para que os grandes possam continuar a jogar a sua partida de golfe com material comprado com IVA reduzido como é apanágio para a prática de desportos de luxo. Faz sentido. não faz? Não?!
Pois não.
Os protagonistas deste conto também concordam. A questão, no entanto, é que eles não se ficam por escrever, por organizar lutas e contestações ou trabalhar na comunidade.
Eles infiltram-se e cortam a cabeça ao polvo.
E eis que eles exercem as nossas vinganças.
Posto isto, aconselho-vos a não perder este conto. Podem sempre comprar o livro ou pedir-mo emprestado e começarem a ler a partir do meio.
Boas leituras e, quem sabe, pequenas vinganças...
BM
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