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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Nordeste Brasileiro - Rio Grande do Norte IV: Pipa e Natal

E eis que chegou o dia de falar sobre Pipa

A cerca de 6 km de Tibau do Sul, a melhor maneira de chegar à vila Pipa é, mais uma vez, de van. São várias as paragens ao longo da rua principal, ladeada por inúmeros restaurantes e lojas. 

Depois da espectacular praia do Madeiro, encontramos a Praia do Curral, ou também chamada de Baía dos Golfinhos. A praia do curral foi baptizada com este nome devido à prática dos pescadores mais antigos que lá construíam currais feitos de varas, para apanhar peixes. Já o segundo nome, é óbvio... sim, há lá mesmo golfinhos... não os há por toda a parte por aquelas bandas? Sacanas dos bichos que são uns exibicionistas! Com maré alta há muito pouca areia, portanto mais vale aproveitarem a maré vazia para banhos e passeios na areia. 

Continuando encontramos a Praia do Porto e depois a Praia Principal. Na praia do Porto é onde ficam atracados os barcos de pesca e lazer. Com maré vazia podem desfrutar de bonitas piscinas naturais. Na praia principal, ou do centro, encontram-se bastantes bares, ideal para quem quer fazer um dia inteiro de praia sem ter de sair do mesmo lugar para o que quer que seja. 

A melhor maneira de apreciar Pipa é lá ir várias vezes. É impossível ver tudo num só dia. É giro andar de trás para a frente naquela grande rua principal, meter o nariz nas transversais e encontrar restaurantes de todo o mundo e outros com decorações surrealistas de Dali, vendas ambulantes de abacaxi ou crepes Romeu e Julieta (queijo com goiabada). Para as mulheres, acredito que aquelas lojas todas de roupa e havaianas também sejam uma excelente atracção.

A praia termina na Ponta de Cabo Verde, que é formada pelo morro da Velha Vicência e de onde se tem uma vista priveligiada da vila:


Continuando para Sul, esconde-se a Praia dos Afogados ou a Praia do Amor, um verdadeiro refúgio de surfistas e românticos.


Vêm como o mar tem a forma de um coração?! Não é bonito? Por isso é que lhe deram o nome do Amor. Folgo em partilhar que lá tomei banho, nu, em plena noite. E foi tão bom. 

A praia está entre as 10 mais belas do Brasil! Contudo, é necessário ter cuidado devido às fortes correntes e remoinhos:


Também não é por acaso que o seu nome original é "praia dos afogados", né?

Continuando ainda mais para Sul, o Chapadão é a maior atracção. Esta formação rochosa costuma ser o palco de onde se liberta o fogo de artíficio na virada e é imperdível.


Durante 6 km encontram-se praias desertas, falésias e piscinas naturais, até se chegar à vila de Sibaúma.

Mas, uma vez mais, não se aventurem a pé! A van leva-vos lá! Em Sibaúma, as praias tranquilas são santuário de tartarugas gigantes e peixes multicolores. Foi também onde vimos burros ou jegues, a banharem-se no pequeno rio que separa as duas margens da vila. A não perder também.

E antes de acabar esta minha partilha sobre o Brasil, é tempo de falar de Natal, a capital do estado, a cerca de 1 hora de carro desde Tibau do Sul.

Emergente das margens do Rio Potengi e defendida pelo forte dos Reis Magos, Natal é uma cidade bastante cosmopolita e urbana, com a mais valia de ter uma enorme praia. Só tem um problema. Está sempre atolada de gente. Mal se consegue arranjar um cm de areia para por um dedinho.

Mas de qualquer maneira, não deixem de ir beber uma água de coco à praia desta que é a cidade do sol, pois é que a tem maior número de dias de sol por ano no Brasil. Basicamente, é Verão o ano inteiro.

Por curiosidade: Natal foi um dos palcos da Operação Tocha, em 1942, em plena II Guerra Mundial, quando os EUA lá abasteciam os aviões. Foi, por isso, considerada pelos americanos como um dos 4 pontos mais estratégicos do mundo. Interessante, não?

Espero que vos abra o apetite!

BM

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Nordeste Brasileiro - Rio Grande do Norte III: Passeio de Buggy, Lagoa de Artiuba e Cajueiro de Pirangi

Continuando com a transcrição do meu diário de bordo da viagem ao Nordeste Brasileiro, partilho convosco hoje o passeio de Buggy que fizemos pela zona Norte da região. 

Começando bem cedo, pelas 8h30 e quando já estavam 40º C, lá estava o buggeiro (o condutor do buggy, portanto) à porta do nosso hotel, para nos apanhar e começar a aventura. 

Depois de apanharmos mais um casal, para completar o buggy, lá fomos em direcção ao balsa e à praia de Malembé, que se devem lembrar do primeiro artigo que escrevi sobre a viagem.

Era lá que começava a emoção. O buggy seguiu pela praia em loucura, connosco sentados em cima das costas dos bancos, ao vento, sem cinto de segurança (quando penso nisso... aquilo é capaz de não ser assim muito seguro, mas ninguém parece ralar-se com isso...) e a adorar a experiência. 

Seguimos em direcção às dunas, para aumentar ainda mais a emoção do passeio. Foi aí que começaram os problemas. Um enorme estalo. Foi o que ouvimos. Foi o motor do nosso buggy. 

Parámos. O buggeiro saiu. Abriu o capot e disse: "ah, é bronca besta"... "trato disso num piscar de olho".



Pois, não era bronca besta! Não só não tratou daquilo num piscar de olhos, como ainda tivemos de voltar até à Lagoa, junto ao Balsa... para esperarmos num local onde tivessemos água e não morressemos com uma insolação. Passadas quase duas horas ele voltou para nos buscar, clamando que a bronca estava resolvida. Bem e lá fomos animados por ali fora. Até o buggy parar outra vez. E outra. E outra. 

Fizemos um vídeo que resume tudo o que passou nesse dia de passeio:



Mas não fiquem a pensar que é sempre assim. O buggeiro disse que está no ramo há mais de 15 anos e era a primeira que lhe acontecia aquilo... bom... ainda que possa ser uma mentirinha... não deve acontecer sempre, né?! E a verdade é que vale mesmo muito a pena!

E mesmo entre avarias, onde pude provar os meus dotes como mecânico (!), ainda tivemos oportunidade de visitar sítios inesquecíveis, que aproveito para aconselhar a quem vai de viagem.

Em primeiro lugar, um excelente tempo passado na Lagoa de Arituba.




A lagoa, de água doce e morninha, faz as delícias de miúdos e graúdos. Para além do inevitável banho de imersão que podem degustar durante horas, sem experimentar hipotermia, podem desfrutar das actividades disponíveis, com slide para a água, canoagem, passeios de gaivota e ainda... almoçar ou petiscar nos pitorescos restaurantes embrenhados nas palmeiras da encosta da lagoa.

Enquanto por lá almocávamos, o buggeiro estava de volta do motor... e quando já equacionávamos como é que íamos sair dali caso o buggy não se mexesse.. aparece o buggeiro com ar triunfante a clamar que tinha resolvido tudo e que ainda tinhamos tempo de  visitar o maior Cajueiro do mundo!

E lá fomos. O cajueiro em questão é o cajueiro de Pirangi, localizado na praia de Pirangi do Norte, a 12 km de Natal. O cajueiro continua envolto em mistério, principalmente sobre a sua origem. E porquê? Porque tem 8500 metros quadrados, 500m de perímetro e que produz cerca de 80 mil cajus em casa safra. Só este, equivale a cerca de 70 cajueiros. É obra! Entre teorias de aliens e inspirações divinas, a que reúne mais consenso é a de que foi plantado por um pescador chamado Luís Inácio de Oliveira, em 1888. O pescador viria a morrer debaixo do cajueiro com a bonita idade de 93 anos. 



Actualmente quem brinca por entre o cajueiro são outros habitantes, bem mais descarados:



Para concluir: 

O passeio de buggy é um MUST DO. Só espero que seja num sem bronca besta. ;)

BM

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Nordeste Brasileiro - Rio Grande do Norte II: Praia do Madeiro

Se continuarmos sempre pela costa atlântica, à direita da praia de Tibau, após a praia do Giz e a Ponta do Pirambu, encontramos a praia do Madeiro

Claro que a maneira mais fácil de lá chegar é, mais uma vez, apanhando a tradicional e inevitável Van. 

Se forem pelo areal, contem com 45 minutos a 1h para fazer o percurso entre a praia do Giz e a praia do Madeiro. Se forem de Van, apenas 10-15 minutos a separam de Tibau. Se escolherem a Van, o acesso à praia faz-se junto ao hotel Village ou pelo Bar do Jegue. 

As monumentais falésias, brindadas com um extenso coqueiral, limitam o areal branco e fino. A baía onde nos podemos banhar, é frequentada por inúmeros surfistas, mas não são eles a maior atracção da praia. 

Claro que vos podia falar da melhor caipirinha que bebi na vida. Foi nesta praia. Dentro de água. Que é quente. Ah! E se o "parceiro" do apoio da praia vos disser que podem ir buscar o "chorinho" da caipirinha... não percam. É o que sobra no shaker da caipirnha que ele vos fez. E dá quase outra... 

Mas, de facto, também não foi a caipirinha o melhor desta praia, classificada como uma das 10 mais bonitas do Brasil. 

Estava eu a nadar, despreocupadamente quando vejo passar a cerca de um metro de mim... uma BARBATANA. Quando conto isto aos meus amigos... dizem logo: "e pensaste que podia ser um tubarão?" 

NÃO! Não pensei em nada. Nem tive tempo. Um segundo depois, vejo o GOLFINHO a emergir para respirar. Estão a ver a cena, tipo à filme? Vem uma onda, uma barbatana e depois um golfinho a surfar em cima dela e a expelir água pelo seu espiráculo. Foi algo que não conseguirei exprimir por palavras. 

Fiquei ainda mais maravilhado quando, momentos depois, mais quatro golfinhos, um deles júnior, decidem juntar-se ao primeiro e nadar junto a nós. Isto não aconteceu numa piscina do zoomarine. Aconteceu em mar aberto, com golfinhos selvagens. Nessa altura dei por completamente bem empregue o dinheiro que gastei nesta viagem. Era o segundo dia de viagem e já estava completamente rendido.

Uma vez mais, não tenho fotografias. Confesso que estive um bocado preguiçoso. Mas para verem a beleza de que vos falo, aqui fica:

by Eleonor
Que saudades...

BM

Nordeste Brasileiro - Rio Grande do Norte

Tal como tinha prometido, inicio hoje a publicação de alguns artigos sobre as minhas impressões enquanto viajante por parte do Nordeste Brasileiro. 

O Nordeste é uma das cinco regiões do Brasil, constituída por nove estados - Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Piauí, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe - e com cerca de 50 milhões de habitantes.

A sua localização no mapa do Brasil está evidenciada a vermelho na imagem abaixo.


De todos estes estados, apenas tive oportunidade de conhecer o Rio Grande do Norte, apesar de ter feito escala em Maceió, capital de Alagoas.

Conhecido como "A Esquina do continente", Rio Grande do Norte, caracteriza-se por um clima semiárido, propício para a produção de sal. A sua capital é Natal, da qual falarei em pormenor em artigo posterior. 

Por ora falarei sobre Tibau do Sul, um município do estado de Natal que tem nove distritos, 15 km de costa atlântica e 12 praias, sendo internacionalmente conhecido pela praia de Pipa que, pela sua importância, também terá um artigo exclusivo. 

Tibau do Sul é o que podemos chamar de uma pequena vila. Com casas térreas, sempre com crianças a brincar às portas abertas, estradas esburacadas, pequenas lojas e uma simpática igreja no centro, perto da prefeitura e da emblemática estátua do golfinho. 

A VAN, ou carrinha para nós, percorre as principais artérias da vila, sendo fácil deslocarmo-nos para qualquer lado. 

Ao longo da estrada que nos leva até Tibau, podemos admirar a Lagoa de Guaraíras, com os seus 8 km de comprimento e 2 km de largura. 


É habitat de inúmeros peixes e camarões, que são pescados segundo apertadas normas de controlo ambiental (e vendidos nos bares das praias por tuta e meia) e ainda de várias aves e golfinhos (é verdade, eu vi!).
Na lagoa podemos encontrar os balsas, pequenos barcos que fazem a travessia da lagoa, desde o porto de Tibau até à praia de Malembá por apenas 2 Reais. 



A travessia demora sensivelmente 10 minutos. Chegados à praia de Malembá, apenas encontrarão dois ou três carrinhos que vendem sorvetes, picolés e bebidas. Eles chamam-lhe "apoio". E depois, caros leitores, são 6km de dunas, palmeiras e muito mar. Encontrámos apenas uma casa nesta extensão. 

Eu perguntei se havia alguma coisa naquela margem na recepção do hotel, para ver se valia a pena ir lá. O senhor respondeu-me que sim... bonitas dunas e piscinas naturais. Naturalmente, fomos. 

Chegados à praia de Malembá, perguntei como poderia ir para as piscinas naturais. A pé. É a única maneira, se não tivermos alugado antes um buggy ou ter um 4x4... bem, não estava tudo perdido, pensei eu... e perguntei "então e isso é muito longe?", resposta: "ah não!!! É BEM ALI". Voltei à carga: "estamos a falar do quê?? 1h a andar?", e ele reponde: "ah não, não é isso tudo não! 40 minutinhos e já contando que 'ocê vai parar para mergulhar pelo caminho". Pensámos que seria ideal. 40 minutos, com direito a banhos numa praia com areia dourada, dunas a perder de vista, água quente com ondas e... deserta?!?!? VAMOS NESSA. Só depois percebemos que eram 6 km e que demorámos 2h30min a fazer o percurso até às piscinas naturais, na praia de Barreta. Isto tudo no "pingo do sol".

Primeiro ensinamento "Bem ali" significa MUITO LONGE, tal como nos explicou o senhor do restaurante do Tá Tá que insistiu em ensinar-me a falar Nordestino (e eu agradeci muito!!). 

As piscinas são fantásticas e o almoço no Tá Tá foi memorável... não percam... mas vão de buggy!!! A pé, nem pensar, ok?!


No regresso, podem apanhar uma Van que vos leva até São José e de lá, o ônibus até Tibau. Também demora cerca de 2h, mas vão sentados e podem apreciar a espectacular paisagem, inclusive a Baobá do Poeta (uma arvore de origem Africana que também se pode denominar por Embondeiro) com mais de 7 m de diâmetro.

Para acabar por hoje, recomendo ainda a praia do Giz. Chegados ao porto de Tibau, junto aos bares e de frente para o mar, temos a lagoa de Guaraíras à esquerda e muita extensão de costa atlântica à direita. 

Aconselho-vos a aventurarem-se e caminharem pela praia à direita até encontrarem pequeninas pisicinas naturais, que ficam perto de dois restaurantes. Chegaram à praia do Giz. A água é batida e com correntes muito fortes e não é vigiada, pelo que é preciso atenção ao nadar.  

A praia é protegida pelos arrecifes, que são formações rochosas (cuidado ao mergulhar) e termina na Ponta do Pirambu. A areia é branca e a água quente. Não tanto como a da nossa banheira, mas suficiente para entrarmos depois de estarmos a torrar ao sol e mesmo assim não sentirmos choque térmico. O coqueiral, em grande parte da sua extensão, encerra com chave de ouro, uma paisagem divina, pouco lotada. 

Mesmo quase na Ponta do Pirambu vão encontrar um "day use", um conceito com restaurante, piscina e áreas de lazer, onde por 80 Reais podem passar o dia. Esses 80 Reais incluem almoço e outros petiscos que queiram fazer até perfazer esse valor. Se tiverem tempo, sem dúvida é uma excelente opção. No day use há um elevador (gratuito e de madeira) que vos leva até à vila, onde podem apanhar uma Van para qualquer lado. 

Estaria horas a falar sobre estes lugares. Infelizmente, não tenho fotos da praia do Giz. 

Mas por hoje é tudo. 

ab e até amanhã.

BM