quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Shrewsbury, 12 de Fevereio de 1809

Nasce o homem responsável pela introdução da Teoria da Evolução e famoso autor de "A Origem das Espécies".

Tantos anos depois, quero felicitá-lo pela sua obra e elevado contributo para a Ciência e para o Mundo, mas não sem perguntar-me até que ponto o seu aprendiz não deveria ter partilhado os louros da teoria.

De qualquer maneira, o seu legado é notável.

Provavelmente se a tivesse proposto hoje, seria mais algo do género:




Cada vez mais o ser humano está a perder a capacidade de comunicar pessoalmente. Estamos a perder competências sociais. Ficamos histéricos se nos esquecemos do telemóvel em casa. Com suores frios se não vamos ver o mail 3 vezes por dia. Todos temos MP4 e ipod's.
Mas cada vez menos sabemos escrever correctamente e falar em público. Não sei onde isto nos vai levar. Mas questionou-me.

Professores que não se dão ao trabalho de pegar no giz; pois com certeza é mais fácil sacar umas apresentações em powerpoint da net. Alunos que escrevem coisas como 'keres ir faxer kk koisa hje? paxas por mha caxa e arranjasse umas koisas quaisqueres para pitar e prontos bazamos'.

Sou o primeiro a usar e abusar das novas tecnologias, mas meus amigos, não podemos esquecer que somos seres sociais.

BM


Sócrates a falar... ao espelho?





Discurso enquanto era deputado da Oposição, em 2004.
Não parece que está a falar dele? Do governo dele? E dos incompetentes dos ministros dele?

Mas este senhor não se toca??

Que grande lata que teve, tem, e se não o pararmos, terá.

BM

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Caixeiro Viajante

Realmente não podia ser diferente. E, em parte, a culpa é do meu trabalho.

Acordo em Caneças, tenho uma reunião em Lisboa de manhã e à tarde perco-me 2h em terras com nomes como (rufos, por favor):



Que parto difícil. Será que Besteiros é a terra das Bestas e Panascal, a dos Panascas?
Pela via das dúvidas, preferimos virar em direcção dos Gagos e dos Tremoços. Sempre podíamos cantar para não encalhar nas palavras e passar a vida a comer marisco. Com o Eusébio.

Isto de levar Qualidade à Saúde dos Portugueses tem que se lhe diga! Ainda para mais com um pseudo-GPS e um co-piloto que... ai coitadinho.

BM

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Paris - La Ville Lumière

Olá amigos.

Pois, muito a contra-gosto, já estou de volta depois de um curto período na Cidade Eterna (envolto pela Boémia de Montmartre e pela alma da terra dos artistas) e de uma intempérie meteorológica.
Tenho para mim que os Deuses conspiravam para que não pudesse voltar ao meu país, num claro sinal de alerta.
Num boteco de esquina nos arredores de Paris, suspirei com a minha companheira de viagem "Agora ficava aqui um mês... ou dois...". Cinco minutos depois, soube que não sairia de Paris com a facilidade com que tinha planeado. Tempestade. Vôo cancelado e outra noite. Moulin Rouge, chuva, sex-shops e um passeio. E sonhos.


Mas tive tempo de conhecer a Disneylândia Paris, com a minha família. É qualquer coisa de extraordinário, que não se consegue descrever por palavras sem fazer um artigo de 5 páginas.
Do Castelo da Bela Adormecida, ao Pizza Planet do Toy Story (onde almocei), passando pela parada das figuras Disney, todos os pormenores estão sublimes. Mas nada, nada mesmo, chega aos calcanhares do Space Mountain. A segunda missão. Uma supernova que vemos explodir, asteróides, planetas, néons, luzes vindas de não sei onde e uma velocidade estonteante, com revoluções de 360º. Ena, que experiência.

Pois, é um bocadinho Geek, é. Fui logo acusado.

Raios me partam se não trouxe fotografias jeitosas.
Esta, em contra-ponto com a que apresentei no anterior artigo, já é qualquer coisa com estilo suficiente para dignificar o meu respeito pelo Sagrado Feminino e o seu famoso cálice:



Quanto aos meus olhares sobre Paris, podem vê-los na Minha Galeria.
Esta Torre nocturna é um deles.



Pronto. De volta o estúpido sentimento. Um estranho no seu país. A cabeça sabe-se lá onde e as malas prontas para a próxima. 

BM

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Simplesmente... Paris!



A ver se é desta que trago umas fotos em condições. Eh eh

Até 3ªf!
(com muitos crepes no bucho)

Nunca, como agora, o habitual Bisou fez tanto sentido ;)

BM

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Edgar Alan Poe - Selected Tales



Não há fan de policiais, fantasias e histórias de horror que não conheça este nome: Edgar Alan Poe.

A ficção, científica ou tenebrosa, que hoje conhecemos, é tão só o reflexo dele.

O génio nunca ninguém esquece. Tal como ninguém esquece a sua vida boémia, a sua expulsão de várias forças armadas onde estava inserido e o seu casamento secreto com a prima Virgínia de, pasme-se, 13 anos.

Mas como se poderia esquecer "The Raven" ("O Corvo", traduzido para Português por Fernando Pessoa "ritmicamente conforme o original") ou a colecção de contos "Tales of the Grotesque and Arabesque", (que Baudelaire traduziu para Francês)? Não podia. Não pode.

A páginas tantas, o mestre desenvolve um darkside, muito para satisfazer as aspirações do público que parecia delirar com as suas fantasias e histórias de terror psicológico. Há mesmo quem o considere Gótico. Eu não preciso de rótulos para o descrever. Só adjectivos. Um. Brilhante.

Mas porque raio me lembrei agora do homem, estarão vocês a pensar... Vários motivos. Vi o cartaz de um filme adaptado de um dos meus livros favoritos, um grande policial histórico, que oportunamente merecerá um artigo só para si e que me fez rever mentalmente as minhas histórias favoritas. O primeiro. Depois porque, pelos corredores do enfadonho centro comercial, esperando a inspiração para o que quer que seja, vejo a FNAC. O segundo. Bom lugar para buscar inspiração. O difícil é não cair em colagens a autores que se gosta tanto. Tentam vender-me uma coisa que nem me lembro, subo as escadas rolantes e ei-lo alguns passos depois:

 
Era uma prateleira cheia de Poe!
O coração bateu mais forte e decidi perder o amor ao dinheiro.
Nem queria saber quanto custava esta colectânea, peguei-lhe, li de enfiada.
Só depois o virei, arrebatado, para ver o preço: 2,70 Euros.

Não sei bem o que pensar disto. Acho que este deveria ser o preço de todos os livros (pois se este só custa isto, é porque é possível fazer livros baratos. Não pensam que a editora tem prejuízo para o vender, pois não?), mas num panorama actual em que a cultura se paga a peso de ouro, qual a razão para Poe ser vendido ao preço da uva mijona?
Será por ter quase 2 séculos? Uhm. Se é, a verdade é que continua a inspirar-nos. 

Viverás para sempre no bico dos nossos lápis e na ponta dos nossos dedos.

Façam-me um favor e vão comprar este livro.

Acho que vou ter uma noite de insónia.

Post Scriptum (sim, recuso-me a escrever a sigla da família do Engenhocas trapalhão): se amanhã não conseguir pensar em radionuclídeos,  é porque Poe, como o seu Corvo aos olhos de Baudelaire, "desperta uma série de tristes pensamentos adormecidos: (...) mil aspirações perdidas, mil desejos frustados, uma existência fracassada, um rio de recordações que se expande pela noite fria e desolada."

BM

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Vão sem mim que eu vou lá ter!



"Movimento Perpétuo Associativo"
Deolinda

Composição: Pedro da Silva Martins

Agora sim, damos a volta a isto!
Agora sim, há pernas para andar!
Agora sim, eu sinto o optimismo!
Vamos em frente, ninguém nos vai parar!

-Agora não, que é hora do almoço...
-Agora não, que é hora do jantar...
-Agora não, que eu acho que não posso...
-Amanhã vou trabalhar...

Agora sim, temos a força toda!
Agora sim, há fé neste querer!
Agora sim, só vejo gente boa!
Vamos em frente e havemos de vencer!

-Agora não, que me dói a barriga...
-Agora não, dizem que vai chover...
-Agora não, que joga o Benfica...
e eu tenho mais que fazer...

Agora sim, cantamos com vontade!
Agora sim, eu sinto a união!
Agora sim, já ouço a liberdade!
Vamos em frente, e é esta a direcção!

-Agora não, que falta um impresso...
-Agora não, que o meu pai não quer...
-Agora não, que há engarrafamentos...
-Vão sem mim, que eu vou lá ter...


Alvíssaras ao rapaz. Brilhante letra. Em tão poucas palavras consegue descrever este país de brandos costumes.
Uma lição destes jovens, a mostrar que o Fado pode não ser coisa de cota. E a Ana Bacalhau? Ai se eu não fosse vegetariano...

Ficaram picados? Eu fiquei. Não só pela provocação, mas também pela capacidade de escrita. Um dia gostaria de poder escrever. Bem.

BM